Adaptação às Mudanças Climáticas e Energias Renováveis

Adaptação às Mudanças Climáticas e Energias Renováveis

O relatório de IPCC publicado em 2013 coloca Moçambique na lista dos países em que nos últimos 10 anos a severidade e magnitude dos eventos climáticos extremos aumentaram factores que têm contribuído para a desaceleração da economia nacional. A resposta a vulnerabilidade em Moçambique, começou a ser implementado em 2013 atraves da Estratégia Nacional de Adaptação e Mitigação as Mudanças Climáticas com objectivo de garantir a monitoria de acções de adaptação, incluindo a redução de risco de desastres climáticos, mitigação e do fortalecimento do quadro legal e institucional com vista a que todos os sectores de desenvolvimento social, ambiental e económico se tornem resilientes aos impactos das mudanças climáticas, promovendo deste modo o desenvolvimento sustentável.

Contudo, nos últimos anos Moçambique vem assistindo uma série de investimentos na exploração do Carvão Mineral e Gás. Segundo a Agência Internacional de Energia, essa exploração (Carvão mineral, petróleo, Gás, etc.) contribue nas emissões de gases de efeito de estufa – 60% a 65%, e consequentemente para as mudanças climáticas. Entendemos que as nossas lutas contra “energia suja” estão intimamente ligadas com as mudanças climáticas. Moçambique tem zero responsabilidade histórica pelas alterações climáticas, mas o nosso país, de baixa altitude, já tem enfrentado enchentes devastadoras nos últimos anos, com a promessa de mais destruição ainda por vir. Moçambique não criou a crise climática, ainda assim, temos mais de 80% da população sem acesso à electricidade.

É preciso ainda, ter-se em conta que os moçambicanos serão atingidos pelas mudanças climáticas, haverá mais secas, inundações e falhas na produção agrícola. Enfrentaremos mais crises de energia e alimentos. Já no ano passado em Moçambique, milhares de pessoas foram deslocadas por inundações e em 2015 começou com a mesma infeliz notícia de inundações em grande escala, aldeias destruídas, pontes caídas, etc. Nós não criamos este problema, mas seremos afectados por ele, por isso devemos fortalecer a nossa voz para exigir uma mudança nos tomadores de decisões. Estas mudanças climáticas terão um impacto desproporcional nas vidas das comunidades pobres afectadas através da redução das suas capacidades de sobrevivências uma vez que ficarão desprovidas dos seus meios de vida derivadas de um número cada vez mais elevado de desastres e eventos climáticos extremos.

As Nações Unidas lançaram a iniciativa Sustentabilidade Energética Para Todos “(SE4ALL)”, como uma força global para ir ao encontro dos esforços dos vários intervenientes em torno de Alcançar Energia para Todos até 2030, definindo metas em torno do Acesso Universal à Energia, Renováveis e Eficiência Energética. Com a iniciativa espera-se um amplo movimento com vista a catalisar novos investimentos para acelerar a transformação dos sistemas de energia mundiais, buscando a eliminação da pobreza energética e o aumento da prosperidade, baseado em três pilares, nomeadamente; (a) garantir o acesso universal a serviços energéticos modernos (b) duplicar a taxa global de melhoramento da eficiência energética, (c) duplicar a quota de energias renováveis no mix energético global.