O drama das famílias afectadas pelo projecto da Green Resources

O drama das famílias afectadas pelo projecto da Green Resources

Cerca de 700 famíias das comunidades Meparara, Monapo-Lancheque, Namacucu e Messa no distrito de Ribáuè, na província de Nampula, estão mergulhadas numa extrema pobreza, devido à expropriação de extensas áreas de terras e sem as devidas compensações, estimada em pouco mais de 1050 hectares pela empresa Green Resources, de capitais norueguês, para dar lugar o projecto de plantio de eucalipto. Trata-se de área que explorada para prática das actividades agrícolas que sustentam milhares de pessoas. A crise é igualmente extensiva a mais de 500 famílias do vizinho distrito de Mecúburi.

Desde o ano de 2010 a esta parte, as comunidades afactadas estão a fazer de tudo com vista a fazer com que a Green Resources, empresa envolvida neste esquema fraudulento, cumpra com as suas obrigações, sobretudo, no que diz respeito às compensações, atráves de uma campanha de advocacia encabeçada pela Livaningo, uma organização da sociedade civil moçambicana, que luta pela defesa dos meio ambiente e bem-estar das comunidades.

Recordar que a cedência da mencionada área, foi na sequência de promessas falsas que não chegaram a ser cumpridas feitas pela empresa às comunidades alvos.

Na implantação do projecto e das promessas dos representantes da empresa feitas às comunidades locais, não haviam dúvidas de se tratar de um empreendimento que vinha para melhorar as condições de vida das comunidades, contudo, volvidos mais de cinco anos, o sonho transformou-se em autêntico pesadelo.

Nas comunidades afectadas, falta quase tudo, desde furos de água, estabelecimentos de ensino, unidades sanitárias, vias de acesso transitáveis, projectos de geração de renda, postos de trabalho, entre outras promessas feitas pelos representantes da Green Resources, logo no início de “namoro”, aos locais.

Tudo que foi regulado por lei pelo Estado moçambicano, para dar lugar a empreendimentos económicos, nomeadamente consultas comunitárias, reassentamentos, compensações, responsabilidade social, entre outras, foram ignoradas pela Green Resources em conivência com alguns tomadores de decisão. Por outro lado, problemas relacionados com a cultura que infertiliza os solos, aliada ao baixo nível acadêmico, poderá estar na origem deste imbróglio.

O mais agravante é que grande parte das comunidades afectadas se não toda, abandonaram a produção da mandioca que era uma das grandes fontes de renda, que tinham a Dadtco como compradora, para alimentar o fabríco da cerveja, e que assegurava uma receita mensal estimada em cerca de 10 mil meticas/mês por camponês. Actualmente, para acomodar os interesses da indústria de madeira, a empresa cujos investimentos ultrapassaram os 100 milhões de dólares-americanos até o ano de 2018, fundos do governo da Noruega, os agricultores afectados, vivem apenas de mandioca ao pequeno-almoço e ao jantar, e praticam agricultura em pequenas porções de terra e arrendadas pelas comunidades circunvizinhas.

Leia mais aqui: https://cartamz.com/index.php/politica/item/5622-o-drama-das-familias-afectadas-pelo-projecto-da-green-resources

 

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