Juntos pela Inclusão no distrito da Manhiça

Juntos pela Inclusão no distrito da Manhiça

 

Manhã de uma sexta-feira, 17 de Abril, chove ainda que, com intermitências, na localidade de Nwamatibjana,   posto administrativo 03 de Fevereiro, distrito da Manhiça. Contudo, a chuva não impede uma equipa de Livaningo a fazer o seu trabalho. Mascarados, (não fosse este o tempo de uma pandemia sem fronteiras que arrasa tudo e todos), os voluntários da Livaningo estão engajados na implementação de um projecto que, acreditam que pode mudar para o melhor, a vida de alguns cidadãos que vivem numa localidade com 24.615 habitantes, 14 bairros e um povoado.

As autoridades locais mostram-se satisfeitas com o projecto denominado “Together For Inclusion (TOFI) ou Juntos pela Inclusão”, financiado pelo Governo norueguês, atravês do NORAD que visa ajudar as pessoas com deficiência a realizar seus direitos, ajudar as crianças com deficiência a frequentar a escola e concluir sua educação e melhorar as oportunidades de capacitação económica para pessoas com deficiência.

“O trabalho decorre sem sobressaltos, os beneficiários aceitam o projecto e mostraram-se felizes”, comentou Carlos Coana, secretário do Sétimo Bairro que tem 27 deficientes.

 “Visitei 57 famílias do Quinto Bairro para dialogar com os deficientes e espalhar a boa nova. Ninguém se mostrou reticente. Penso que é uma boa iniciativa”, disse Alfredo Chissano, secretário local.

Para o chefe da localidade de Nwamatibjana, Paulo Mandlate, o projecto “Juntos pela Inclusão” é muito bom e bem vindo em Nwamatibjana, porque “como Estrutura temos dificuldades para responder com todas as necessidades das pessoas com deficiência. Juntos podemos fazer mais e melhor”.

No Sétimo Bairro os colaboradores da Livaningo conversaram com a idosa e deficiente fisica Marta Massingue, 88 anos de idade, que tem o fardo de apesar de estar carente de tudo tem de cuidar da irmã mais velha que sofre de deficiência mental e fisica.

“A minha vida é difícil mas faço pequenos trabalhos remunerados nas machambas de outras pessoas para sobreviver. Quando há seca quase morremos à fome”. Questionada sobre os seus sonhos, Marta mostrou-se resignada. “A vida já não tem sonhos para me oferecer. Vejam a casa que nos alberga pode ruir a qualquer momento. Vivemos numa indigência total, por isso, qualquer ajuda aceito. Quando chove tenho imensas dificuldades para confeccionar alimentos porque não tenho uma cozinha nem local adequado para o efeito”.

De acordo com Plano Nacional da área da Deficiência (PNAD II, 2012-2019) em Moçambique existem cerca de 475.011 pessoas com deficiência, equivalente a 2% total da população moçambicana, estimada em cerca de 29 milhões de habitantes. A maioria das pessoas com deficiência vive nas zonas rurais onde os niveis de pobreza são mais altos, os serviços de saúde, educação, entre outros são escassos.

A Livaningo entende que existem esforços que visam promover a melhoria da inserção de pessoas com deficiência na área social, económica, trabalho entre outras. Contudo, ainda existem grandes desafios para que a implementação desses esforços seja eficaz de modo que as pessoas com deficiência gozem dos mesmos direitos que os não deficientes.

 

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