Livaningo em Sussundenga para mitigar o impacto do ciclone Idai

Livaningo em Sussundenga para mitigar o impacto do ciclone Idai

O distrito de Sussundenga foi um dos mais afectados pelo ciclone “Idai” a nível da província de Manica, tendo sido registados cerca de 158 óbitos e 51 desaparecidos, para além as infraestruturas públicas e habitações danificadas.

Segundo o informe oficial sobre o ponto de situação do ciclone “Idai”, no sector agrícola, só no distrito de Sussundenga verificou-se que de um total de 263.617 hectares semeados, cerca de 108.565 hectares foram afectados pela passagem do ciclone, prejudicando aproximadamente 13.469 famílias, cuja maioria encontra-se no posto administrativo de Dombe, local escolhido pela Livaningo para implementação do projecto de reconstrução pós Idai. As comunidades locais perderam quase tudo com o evento calamitoso – produção, casas, animais e entes queridos.

A Livaningo visitou o posto administrativo de Dombe, especificamente as localidades de Dárue, nos bairros de reassentamento de Muwawa e Unidade e também a localidade de Mabaia onde visitou o bairro de reassentamento 25 de Setembro.

O posto administrativo de Dombe dispõe de 28 centros de reassentamentos definitivos das famílias que foram afectadas pelo ciclone “Idai”. São ao todo 3.577 famílias reassentadas, segundo dados obtidos no posto administrativo de Dombe.

Actualmente, as famílias encontram-se a viver em casas/tendas improvisadas com material precário doado (estacas, chapas e lonas). Cada família foi atribuída em média, um espaço de 30 por 15 metros. Alguns bairros como é o caso do bairro de Muwawa não tem acesso aos serviços de saúde. A distância para os serviços de saúde mais próximo é longa, facto que preocuapa as familias.

“Antes vinham brigadas às terças-feiras para atender doentes mas agora não acontece. Temos problemas de malária e outras doenças que precisam cuidados médicos. Para encontrar um posto de saúde mais próximo devemos percorrer uma distância de 21 km para chegar a Dombe e transporte não é fácil”, explicou o secretário do bairro de Muwawa.

As famílias recebem periodicamente apoio de alguns mantimentos como feijão, milho, farinha de soja, óleo e açúcar para a sua alimentação diária. Entretanto, em conversa com as famílias na sua maioria afirmaram não ter o que comer, o que receberam na segunda semana de dezembro do ano passado (2019) já acabou pois segundo explicam são muitas bocas para pouca comida:

“Aqui é acordar e comer farinha de soja ou papinha de soja e esperar mais tarde para fazer um pouco de verdura com milho. Assim só me resta colecionar frutas silvestres”, contou Isabel, viúva de 57 anos e com cinco filhos.

Muitas famílias afirmaram ter recebido sementes de milho, pepino, feijão, amendoim, tomate cebola, quiabo e cenoura. Destas, as sementes de hortícolas como pepino e outros guardaram e esperam a época seguinte para poderem semear. Todavia, devido ao calor intenso que se verifica as sementes não estão a crescer devidamente. Portanto, não esperam ter uma boa colheita que lhes permita assegurar até a próxima campanha.

“Semeamos milho e não está a crescer. Sementes recebemos mas ainda precisamos muito mais, devido ao sol, a produção não está a sair devidamente”, disse o secretário do bairro 25 de Setembro.

Para além das culturas, com o ciclone “Idai” as famílias perderam os seus animais de criação. Elas criavam bois, porcos, cabritos galinhas e patos, tudo foi perdido durante a catástrofe. Da ajuda que receberam até agora, pelo menos nos bairros por onde a equipa da Livaningo visitou as famílias ainda não receberam nenhum incentivo para a criação de animais.

A Livaningo visitou o distrito de Sussudenga no âmbito do programa “Recuperação Pós Idai”, com objectivo de apoiar as comunidades locais na melhoria da produção agrícola/segurança alimentar por meio de agricultura de resiliência climática e reabastecimento de gado.

A Livaningo está focada no fornecimento de insumos agrícolas, uma vez que os agricultores estão limitados de planear a época seguinte.

A coordenadora de projectos da Livaningo em Sussundenga, Berta Membawaze, explicou que a Livaningo optou por promover milho, feijão e batata-doce de polpa alaranjada e algumas hortícolas como as culturas que são alimentos básicos e essenciais para a nutrição, após consultar o governo local e comunidades.

“A semente será em breve distribuída às 200 famílias e usada para estabelecer bancos de sementes, que consistem em coletar e armazenar espécies de sementes a serem usadas na próxima campanha agrícola. Em segundo lugar, a Livaningo promoverá o reabastecimento de gado”, disse Berta.

Vários foram os apoios canalizados para as famílias afectadas, desde organizações da sociedade civil, organizações internacionais e também do governo estiveram a mobilizar-se para prestar apoio na reconstrução das zonas afectadas pelo ciclone “Idai”. No posto administrativo de Dombe destacam-se as seguintes organizações: Caritas, Cruz Vermelha, Visão Mundial, Fao, Save the Children, OIM, FDC e ADRA.

O distrito de Sussundenga localiza-se na província de Manica, sendo limitado a Norte pelos distritos de Gondola e Manica e Oeste pela República do Zimbabwe, a Sul o distrito de Mossurize e a Este pelo distrito de Búzi (Sofala). O distrito está dividido em quatro postos administrativos, nomeadamente: Dombe, Muhoa, Rotanda e Sussundenga.

Sussundenga é um distrito com grande actividade agrícola chegando a ser considerado o celeiro da província de Manica.

 

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