Chuva devasta norte de Moçambique e cria milhares de migrantes climáticos

Chuva devasta norte de Moçambique e cria milhares de migrantes climáticos

Centenas de habitações inundadas, infraestruturas destruídas e milhares de migrantes climáticos é o balanço de mais uma vaga de chuvas intensas, que assola a região norte do país, com destaque para as províncias de Niassa e Cabo Delgado.

Pior do que já aconteceu, as previsões meteorológicas apontam para cenários pouco animadores para os próximos dias, tendo em conta que, contrariamente ao que é habitual, em Cabo Delgado, em particular, as chuvas intensas que geralmente começam a cair entre finais de Fevereiro até Abril, desta vez, chegaram mais cedo.

 Os distritos de Macomia, Muidumbe, Quissanga, Metuge e Meluco, figuram como os locais mais assolados pelas inundações com cerca de 10 mil pessoas afectadas, algumas das quais perderam suas casas e bens.

Nove distritos da província de Cabo Delgado continuam isolados devido ao desabamento da ponte sobre o rio Montepuez, na estrada N380, alguns dos quais, estão sem energia eléctrica, devido a queda de postes da linha de transporte que alimenta a zona norte de Cabo Delgado.

O mais recente relatório da organização Save the Children mostra que, só em 2019, mais de 1.200 pessoas perderam a vida devido a desastres naturais na África Oriental e Austral.

Em Moçambique, o ciclone Idai, que atingiu o centro do país em março, provocou mais de 600 mortos.

Os números são alarmantes, segundo Thomas Lay, director de emergências da organização na região: “O relatório analisou 10 países da África Oriental e Austral e concluiu que 33 milhões de pessoas, das quais 16 milhões são crianças, sofrem de insegurança alimentar, devido às consequências das alterações climáticas”.

A organização lança ainda o alerta: o número de pessoas migrantes climáticos na sequência de desastres naturais pode ter duplicado até ao final do ano passado. Afinal, só em 2019, fenómenos naturais como ciclones, inundações e deslizamentos de terra abalaram vários países do continente africano. Para além de Moçambique, o Zimbabué, Malawi, Quénia, Sudão e Somália também foram afectados.

Migrantes climáticos ou ambientais são pessoas forçadas a emigrar de sua terra natal em função de mudanças no meio ambiente. Algumas das causas de migrações motivadas pelo clima são a desertificação, a subida do nível do mar, secas, e a interrupção de eventos climáticos sazonais, como as monções.

Visando influenciar o Governo de Moçambique a adoptar politicas claras para mitigar o sofrimento dos migrantes climáticos, a Livaningo actua na província de Cabo Delgado no âmbito do projecto “Refugiados Climáticos: Impacto das Mudanças Climáticas nas Zonas Costeiras”, financiado pela Counterpart International – USAID).

O objectivo do projecto é fazer com que o Governo reconheça que as mudanças climáticas como secas, cheias e ciclones são a causa de milhares de migrantes climáticos em Moçambique, dai a necessidade de adoptar politicas que possam mitigar o sofrimento das pessoas, que muitas vezes, são forçadas a abandonarem as suas zonas de origem e começar tudo de zero em locais em que quase sempre, falta um pouco de tudo.

 

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