Organizações da sociedade civil querem uma gestão integrada dos Oceanos

Organizações da sociedade civil querem uma gestão integrada dos Oceanos

 

A Livaningo participou da 1ª Conferência com tema Crescendo Azul, organizada pelo Governo de Moçambique, o evento tinha como objectivo central promover a integração do desenvolvimento das economias do mar no contexto da Economia Azul sustentável, baseado no conhecimento científico e tecnológico robusto, a realização da mesma estava sobre responsabilidade do Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas, e teve como foco a região Ocidental do Oceano Índico.

A Conferencia que juntou Chefes de Estado, Conselho de Ministros, Governadores, Organizações da Sociedade Civil, Sector Privado, entre outros, teve a duração de dois dias e decorreu sobre o lema “Exploração Sustentável e Compartilhada do Oceano”, a mesma visava mostrar as oportunidades que o mar tem através da partilha de experiências.

Na sessão de abertura presidida pelo chefe de Estado, Filipe Nyusi destacou a necessidade de uma coordenação sistematizada para os desafios que o mar apresenta, ainda reiterou uma profunda gratidão a comunidade internacional, pelo apoio prestado após a passagem dos ciclones  IDAI e KENETH, que fizeram com que Moçambique estivesse nos holofotes da imprensa internacional na sequência da passagem destes desastres naturais, um fenômeno que prova que as Mudanças Climáticas são uma realidade presente na vida dos moçambicanos.

Dixon Waruinge, Secretário da Convecção de Nairóbi, na sua intervenção Sobre Governação sustentável dos oceanos, no âmbito do 14º Objectivo de Desenvolvimento Sustentável, a Vida debaixo da água, falou do papel dos oceanos durante o sec. XVII, onde estes eram usados basicamente para transportes, e de forma progressiva o uso destes foi se diversificando, e isso contribuiu para que se estabelecessem modelos de visão de uso dos espaços marinhos. Partilhou também a ideia que a economia azul tem um potencial forte sob ponto de vista econômico para as comunidades e chamou atenção sobre os desafios ligados à conservação e a necessidade de alocar mais recursos financeiros para matérias ligadas ao uso sustentável dos recursos marinhos. Destacou também os cuidados que Moçambique deve ter com a exploração de gás e petróleo, objetos importantes para a economia, e colocou o desafio de adopção de tecnologias mais limpas para evitar os danos que são provocados pela exploração destes recursos.

Para a Directora do WWF Moçambique, Anabela Rodrigues na sua apresentação sobre o tema o Uso dos Mares e Oceanos para Geração de Energia: Perspectivas para os Países em Via de Desenvolvimento, referiu que falar do mar e de energia quando se pertence a uma organização de conservação é sempre controverso, as evidências do valor quase que incalculável dos oceanos, quer para o planeta, quer para os seus habitantes tem sido expostas por várias organizações, dão a simples conclusão: a vida não é possível sem oceano, este produz 50% do oxigênio, absorve mais de 90% de energia calorífica que resulta do excesso do calor aprisionado pelos gazes de efeito estufa, providencia bens alimentares que proporcionam meios de vida à milhares de pessoas. Se o oceano fosse um país o seu produto econômico anual posicionara-se em 7º lugar nas economias do mundo a par do PIB do Reino Unido, um dos exemplos demonstrados pelo relatório viver econômico do oceano indico ocidental, que revela que os activos do oceano nesta região estão avaliados de forma conservadora em 333 800 000,00 USD. Sendo assim as economias que dependem dos oceanos terão que enfrentar desafios para a provisão de mantimentos se não houver acções significativas e decisivas de conservação, e Mocambique já vive alguns desses problemas, como os casos do excesso de esforço na pesca do camarão.

De acordo com o Director Cientifico da Universidade Eduardo Mondlane, Emilio Tostão é importante que as autoridades moçambicanas reflitam sobre os modelos de exploração dos recursos, para este a exploração dos recursos deve beneficiar as comunidades desfavorecidas.

Para o FOSCAMC, fórum das organizações moçambicanas da sociedade civil para a área marinha e costeira, é importante que se olhe para o mar e para a costa como parte significativa do potencial de Moçambique, mas que igualmente sejam vistas as limitantes e a sustentabilidade dos recursos. Com constituência de organizações que trabalham para a conservação dos ecossistemas e habitats marinhos e costeiros e para garantir o bem-estar das comunidades costeiras e pesqueiras, a economia azul deve ser vista como uma solução integrada, “devemos olhar para os oceanos não como uma fonte interminável de recursos, mas de forma onde a gestão integrada é uma questão séria. Tem de se trabalhar para uma gestão dos oceanos integrada e não exclusivamente sectorial, a integração entre os diversos sectores é fundamental para que possamos olhar o mar da melhor forma.” Disse um dos representantes do FOSCAMC na Conferencia

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