Uma vítima esquecida da tragédia de Hulene

Uma vítima esquecida da tragédia de Hulene

Cecília Julião Mbenzane, Viúva de 32 anos de idade é uma das vítimas da tragédia da Lixeira de Hulene. No incidente Cecília perdeu seus dois filhos, uma irmã mais velha e teve ferimentos graves que resultaram numa deficiência física que lhe impossibilita de se locomover normalmente.

Diferentemente dos outros afectados Cecília não está contemplada no grupo dos que serão reassentados no bairro de Possulane no Posto administrativo de Marracuene, local identificado para reassentar as famílias de Hulene vítimas do desabamento da montanha de lixo. Cecília também não tem recebido nenhuma assistência social, e portanto não está a receber o valor de 10 mil meticais para aluguer de casa como os outros.

Segundo conta, do Conselho Municipal da Cidade de Maputo apenas teve a promessa de que lhe seria dado material de construção, entretanto Cecília não dispõe de um espaço para construir uma casa com o referido material que até hoje não foi entregue.

Até a altura do desabamento Cecília vivia no bairro de Hulene B, na casa do seu cunhado que era casado com sua irmã mais velha. Cecília era viúva e mãe de duas crianças. A irmã lhe havia acolhido em sua casa para ajudar a jovem irmã a cuidar das duas crianças. Na altura do desabamento as crianças tinham 6 e 10 anos de idade. Cecília viveu no bairro de Hulene por 3 anos e com ajuda da irmã e o cunhado criou os seus 2 filhos.  

Na madrugada do desabamento da montanha de lixo, Cecília estava na casa com as suas 2 filhas, a sua irmã, seu cunhado, a cunhada do seu cunhado que trazia uma criança e também 2 visitas que vinham a Maputo para tratamento médico e haviam se hospedado na casa. No desabamento das 9 pessoas que estavam na casa 6 perderam a vida: os dois visitantes, a irmã da Cecília, o cunhado e as filhas da Cecília.

Cecília teve ferimentos graves, uma lesão na perna que lhe deixou com uma ligeira deficiência na perna. Teve também lesão no braço e peito e na altura foi levada para o hospital.

Após a saída do hospital e posterior do centro de acomodação, ainda debilitada segundo conta, Cecília ouviu do seu concunhado, irmão do marido da falecida irmã que não podia continuar com eles pois ela não era da família. Sem nenhum tipo de ajuda e sem família, Cecília foi acolhida por uma familia solidaria, família do seu actual parceiro que lhe dá abrigo e comida.

Cecília chora a perda das suas únicas filhas e explica que a dor é tanta que não saber se voltará a ter filhos algum dia. Lamenta também o facto de ter perdido tudo e estar sozinha sem nenhum apoio.

A Livaningo reportou o caso da Cecília Julião Mbenzane ao Município de Maputo na Vereação de saúde e Acão Social, vereação que gere o processo de reassentamento e assistência as vitimas após o desastre de modo que ela possa receber alguma assistência e também ser integrada na lista dos reassentamentos no bairro de Possulane, Distrito de Marracuene. No momento aguarda-se por resposta do Município de Maputo que poderá sair a qualquer altura.

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