Comités de Recursos Naturais debatem Soluções para a Usurpação de Terra em Ribaué

Comités de Recursos Naturais debatem Soluções para a Usurpação de Terra em Ribaué

Os Comités de Gestão dos Recursos Naturais de Ribaué, refletiram no passado dia 28 a sua situação em relação a usurpação de terra. O debate promovido pela Livaningo contou com a participação de 40 membros de dois CGRN, e tinha como objectivo discutir ações de advocacia para a resolução dos problemas enfrentados pelas comunidades.  

Desde 2010 que em Namigonha um grupo de 30 camponeses e camponesas em representação das suas comunidades vem exigindo ao governo a resolução de conflitos de terra resultantes da expropriação das suas machambas pela empresa Lúrio Green Resource para dar lugar a plantações  de espécies exóticas (eucaliptos).

Por outro lado, na localidade de Matharia, as comunidades reclamam expropriação de terra de camponeses e camponesas pela empresa Matharia Empredimentos que alega que a terra pertencia à sua família desde o tempo colonial. 

Os dois casos acima mencionados são do conhecimento do Governo e as comunidades já manifestaram de diversas formas a sua preocupação porém lamentam o facto até então não haver nenhuma resposta clara do Governo e não haver entendimento com as empresas envolvidas.  

Estamos agastados com a empresa Lúrio Green, fazem já 9 anos que este problema começou, acordamos ao som das maquinarias que limpavam a nossa terra sem nenhuma permissão, tiraram tudo que tínhamos plantado sem nem se quer nos dar a chance de colher os produtos plantados, e depois de algumas reuniões de discussão resolveram nos dar compensações. Porém as compensações não foram justas e nem foram para todas as famílias. Estamos preocupadas porque o Governo não nos diz nada e sentimo-nos desamparados em nossa própria a terra e ainda não sabemos o que irá acontecer. Disse José Cololo (camponês da comunidade de Meparara).

Joaquina Viagem membro do CGRN de Namigonha lamenta esta situação pois a terra que lhe foi retirada pertencia ao seu pai e era bastante fértil, e agora trabalha numa outra machamba que é longe da sua casa, e sente que não tem o mesmo rendimento, e por consequência as crianças estão a passar dificuldades na escola porque vão com fome.

“A terra que nos tiraram é muito fértil e nos serviam bem a produção o que garantia alimentos para as nossas crianças, podíamos com esta produção vender e comprar uniforme para as crianças, assim estamos desesperados, não sabemos como será o nosso futuro. Mais vamos continuar a resistir pois esta terra nos pertence a todos os nossos filhos”.  

Para a Livaningo o problema relacionado a empresa Lúrio Green Resource pode já estar no seu fim, pois várias acções de advocacia foram feitas pela Livaningo e por outras organizações da sociedade civil de modo a que as comunidades tenham acesso aos seus direitos. Como último recurso o próprio CGRN tomou a iniciativa de escrever uma carta “exposição” ao Presidente da República e as comunidades estão esperançosas para a resolução do problema. Por outro lado, as comunidades afectadas pela Matharia empreendimentos ainda, necessitam de maior assistência, visto que o problema não tem ainda nenhuma perspectiva de resolução.

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