Green resources volta atrás e pretende readmitir colaboradores de Messa

Green resources volta atrás e pretende readmitir colaboradores de Messa

De acordo com relatos da comunidade de Messa, distrito de Ribáuè, província de Nampula uma equipa da empresa Green resources constituída por quatro elementos, dos quais dois moçambicanos e igual número de origem norueguesa visitou aquela comunidade no passado de 13 de Junho com objectivos de readmitir os colaboradores que foram mandados embora nas plantações de eucaliptos, sem causa justificada.

Esta acção da empresa é considerada pelas famílias afectadas como desesperançosa e abusiva visto que desde 2010, ano em que o projecto entrou em funcionamento no distrito de Ribáuè, as comunidades afectadas não foram devidamente compensadas até o momento ” não aceitamos inscrever nenhuma pessoa, antes da empresa sanar os problemas das compensações paradas já há alguns anos, e as promessas não cumpridas, relacionadas com condições básicas, como hospitais, escolas, água potável”. Disse Paulino Agostinho.

Agostinho secundou ainda que a mesma equipa, pretendia seguir com a viagem para o povoado de Lanxeque mas sem sucesso acabou por desistir ” tivemos uma discussão cerrada com eles e acabaram se retirando de Messa sem nenhum entendimento e com isso desistiram de seguir para Lanxeque.” acredita .

Por seu turno António Bolacha lamentou o facto da empresa Green Resource não se preocupar com das comunidades ” a população está muito triste porque pensava que esta equipa vinha resolver os seus problemas, mas afinal só querem trabalhadores. Depois de todos estes anos que estamos a pedir para reverem as compensações, quando ouvimos dizer que eles estavam a vir, até pensávamos que já vinham com o dinheiro”.

Entretanto, a Livaningo que vem apoiando estas comunidades desde o ano de 2014, exige que a empresa Green Resource cumpra urgentemente com as suas promessas devido ao mal-estar que está a causar no seio da comunidade, “é chegada a hora da Green resources reflectir e se organizar para responder as demandas das comunidades, por mais que insistam no discurso de que obedeceram a lei em todos os seus processos de aquisição de terra, e que usaram referencia da agricultura para as compensações, não devem negar as promessas feitas as comunidades”.

Para a Livaningo estes despedimentos derivam da crise económica que a empresa vive, resultante da perda de alguns financiadores que não estão contentes com a postura da empresa para com os colaboradores e para com as comunidades em Moçambique. Apesar de não confirmado pela empresa, é sabido que a mesma perdeu as certificações e com isto o mercado internacional.

“A empresa deve reconhecer que já perdeu parte da certificação FSC, porque interessa cada vez mais as pessoas de onde vêem os produtos, como são feitos e o impacto social e ambiental deles no mundo ao seu redor. A Green resources poderá perder muito mais com o seu envolvimento no agravamento da situação sócio económica das comunidade onde possui as suas plantações”, disse Sheila Rafi directora executiva da Livaningo.

Rafi terminou afirmando que “Não é normal mais de 1000 famílias não estarem satisfeitas com a postura da empresa”. Julgo que é caso para os nossos governantes do mais alto nível se aproximarem de Ribaué e auscultarem aquela população. Recorde se os eucaliptos plantados encontram-se num estágio de desenvolvimento bastante avançado, e ambientalmente a Livaningo junto de outras organizações defendem que estas monoculturas de plantas exóticas contribuem para o empobrecimento dos solos e o desaparecimento de água nos lençóis freáticos, além da perda da biodiversidade, quando comparada a uma situação de savana ou floresta nativa.

Recorde que recentemente uma equipa da Livaningo esteve reunida com as famílias afectadas pela empresa Green resources em Ribaué e em Mecuburi.

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