Green Resouces empurra comunidades à pobreza em Ribáwè

Green Resouces empurra comunidades à pobreza em Ribáwè

Cerca de setecentas familias das comunidades de Meparara, Mesa, Lacheque e Namacucu, no posto administrativo de Ligonha, distrito de Ribáuè, província de Nampula, continuam mergulhadas numa autêntica pobreza absoluta, em resultado da usurpação de suas terras que eram usadas para produção de comida, e que foram transformadas num projecto falido de plantação de aucalipto, naquela parcela do país.

Paralelemente a este triste cenário, mais de uma centena de residentes nas mencionadas comunidades que teriam sido empregues no projecto de plantação de eucalipto pela Green Resources, estão no olho da rua e sem justas indeminizações, na sequência da paralização parcial das actividades, supostamente pelo fecho do financimento atraves dos bancos e agências norueguesas à este consórcio, derivado a denúncias levadas a cabo pelas Organizações da Sociedade civil com destaque para  livaningo, mormente a diversas irregularidades protagonizadas pela empresa.

Coradas as possibilidades de retorno da terra, braço de ferro que se arrasta desde o ano de 2010, ano em que o projecto entrou em funcionamento no distrito de Ribáuè, as comunidades afectadas exigem por compensações justas, porque os eucapliptos plantados encontram-se num estágio de desenvolvimento bastante avançado.

Este posicionamento foi manifestado recentemente por cerca de quinhentos camponeses das comunidades de posto administrativo de Namigonha, distrito de Ribáwè, na província nortenha de Nampula, a margem de um encontro levado a cabo pela Livaningo, no ambito da  sua advocacia no processo de reassentamento das familas afectadas pelo projecto.

Na ocasião Sheila Rafi, directora executiva da Livaningo e activista social que liderou o processo de justas indemnização para as comunidades do posto administrativo de Namigonha em Ribáwè, disse que apesar dos parceiros internacionais a Green Resouces terem recuado no processo de financiamento, a batalha pela compesanção às familias visadas ainda prossegue.

Há cerca de oito anos que a Green Resouces, empresa de capitais noruegueses chegou ao distrito de Ribáuè trazia consigo um “mar de promessas” de desenvolvimento das comunidades em causas, facto que não chegou a se concretizar, senão agravar com o sofrimento das suas familias”, recordou Sheila Rafi..

As comunidades presentes secundaram igualmente que dentre as falsas promessas destacam-se, a construção de pontecas, salas de aulas e unidades sanitárias melhoradas, compensações pelas destruições de culturas com valores monetários muito altos, entre outras, o que não chegaram a concretizar.

Das poucas familias que tiveram a sorte de terem sido compensadas pela destruição de suas culturas e usurpação de suas machambas, os valores variavam entre um metical a três mil meticais, e com críterios menos claros.

Aliás, referiram igualmente da falta de realização de consultas comunitárias, onde a empresa ludibriou aos líderes comunitários e responsáveis do sector de agricultura, supostamente aliciados com valores monetários, para viabilizar o processo de usurpação de terra das comunidades, com justificação de que a terra é propriedade do Estado.

António Bolacha, é um dos agricultores, dentre os mais de sete centenas da comunidade do posto administrativo de Namigonha sede, distrito de Ribáwè, que foi forçado a abandonar a sua área de cerca de 70 hectares, onde este produzia diversas culturas, dentre as quais, mandioca, horticolas, milho, fruteiras. Depois de várias anos de reclamação junto da Green Resouces, foi compensado apenas 2.850 pelos cajueiros e mangueiras destruídas e, 150 meticais pelas culturas.

Aliás, referiu ainda que a terra onde este foi-lhe retirada, já vinha trabalhando a vários anos, e os níveis de produção eram altos. Com a cebola, feijões e horticolas saídas das terras usurpadas, António Bolacha abastecia a Academia Militar, Instituto de Ciências de Saúde instituições de formação sedeadas na capital provincial de Nampula, mercados das cidade d Nacala ainda em Nampula, Pemba e Mocimboa da Praia, na província de Cabo Delgado. “ Com o dinheiro das vendas dos meus produtos, consegui compar uma carinha, assegurar estudos dos meus filhos, e ter uma vida melhor, mas hoje, tudo passou para a história”, lamentou.

A semelhança de outras famílias, Bolacha acrescentou que depois de perder a terra, percorre cerca de 20 quilometros, concretamente na fronteira com o vizinho distrito de Murrupula, onde foi cedido a título de emprestimo, de uma pequena parcela de terra apenas para produzir alimentos para sustentar a sua familia, condicionada a dividir os escedentes com os proprietários dos espaços.

 

Green Resouces de portas fechas por falcatruas

O grito de socorro dos camponeses da província de Nampula e de Ribáwè em particular, afectados pela usurpação de suas terras e, que exigem justas indeminazações pela multinacional Green Resouces, continua a ser uma “luz no fundo do túnel”, informações disponiveis colhidas junto do escritórios na cidade de Nampula, dão conta que  Norfundo (The Norweigian Investiment Fund For Developing Conuntries), instituição financeira que assegurava o financiamento da Greeen Resouces, cortou o desembolso dinheiro, depois destes ter se apercebido que os fundos estavam a empobrecer as comunidades locais, e a respectiva suspensão da certificação FSC para as plantações em Nampula.

Por outro lado, o corte do financiamento fez com cerca de trezentos afectos nas plantações de eucalipto e pinho em Mataria distrito de Ribáwè, fossem colocados no olho da rua e sem indemizações a que lhes conferia direito, ficando apenas quatro.

Recorde-se que a Livaningo em pareceria com outras organizações da Sociedade civil nacionais, lançou  em Setembro de 2016 um estudo que culminou com de um documentário que ilustra a triste situação  comunidades afectadas pelos conflitos de terra com a Green Resouces Moçambique. Paralelamente, foi elaboração de uma petição que contou com mais de dez mil assinaturas de singulares e OSCs entre nacionais e estrangeiros, submetido ao ministério de Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural e Agricultura e Segurança exigindo ao governo a fazer cumprir a Lei de Terras e assegurar que os direitos das comunidades no acesso a terra, água e alimentos sejam respeitados.

Refira se que a Livaningo realizou igualmente encontros junto da embaixada da Noruega cujos resultados foram infrutíferos.

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