Queimadas descontroladas e erosão preocupam as populações do distrito de Morrupula.

Queimadas descontroladas e erosão preocupam as populações do distrito de Morrupula.

A falta de transporte dificulta fiscalização nas zonas de exploração dos recursos naturais.

As comunidades das localidades de Muihia e Cavarro, no distrito de Morrupula, província de Nampula estão preocupadas com a situação actual das queimadas descontroladas, erosão provocada pela caça, exploração de ouro e abate excessivos das árvores.

 Estes problemas foram apresentados á Livaningo durante uma visita aos Comités de Gestão de Recursos Naturais de Muihia e Cavarro, distrito de Morrupula. A mesma estava inserida no âmbito do programa de Monitoria e transparência na gestão dos recursos naturais.

As populações daquele distrito lamentam o senário actual de devastação das florestas, da erosão e queimadas descontroladas ’’Nossa mata e casas estão sendo devastadas, as pessoas provocam as queimadas para caçar. A terra esta esburacada, os garimpeiros estão a dar a cabo da terra. E pedimos ajuda para controlar esta situação’’ desabafou João Casaco

Por outro lado Felez Alberto, membro da fiscalização disse que a falta de meios para transporte constitui um grande desafio para a fiscalização ‘‘  é quase impossível chegar nos pontos críticos por falta de transporte, e isso dificulta o nosso trabalho de sensibilização e fiscalização dos recursos locais em comunidades distantes. Não temos como impedir ou minimizar os problemas de exploração ilegal nas nossas florestais’’  Lamentou Felez

O outro problema que tira sono aos fiscais é a falta de uniforme que os identifica como fiscais ‘’ é um desafio na realização do nosso trabalho como controladores dos recursos naturais, pois muitas vezes quando entramos na comunidade e encontramos invasores e exploradores ilegais somos ameaçados e violentados por eles quando tentamos chamar sua atenção e impedi lós de tais actos e até nos chamam de burladores”. Concluiu Alberto

Os problemas apresentados pela comunidade afectam directamente a vida das mulheres e das crianças, principalmente a falta de recursos florestas, pois antes do aparecimento das concessões florestais e do agravamento do abate ilegal das árvores existiam florestas em áreas próximas para a colecta de lenha e produção do carvão para confecionar os seus alimentos.

 ‘‘ Hoje em dia com o abate das árvores, torna se cada vez mais escassos os recursos, Virou um sofrimento para nos as mulheres na busca de lenha e produção de carvão, pois somos obrigadas a percorrer cerca de 3 horas para obter esses recursos, tornando essa situação cada vez mais crítica, principalmente para as crianças que tem que ir a escola’’  afirmou Ilda Dias

Para a Livaningo, o empoderamento e capacitação dos comités e comunidades locais tem sido uma das formas para apoiar as comunidades na resolução dos problemas locais, pois com as capacitações elas já tornam se conhecedoras de algumas matérias relacionadas com gestão dos recursos naturais. “Acreditamos que uma das boas estratégias para ajudar as comunidades na resolução dos seus problemas é dotando as comunidades de conhecimentos sobre a legislação e táticas de advocacia para que tornem se defensoras dos seus direitos e da sua terra” disse Olinda Cuna Oficial do Programa de Monitoria e transparência na gestão dos recursos naturais

Olinda Cuna acrescentou que um dos bons exemplos trazidos pelas comunidades como adoção de novas práticas, são as queimadas frias, como resultado das capacitações e sensibilização realizadas pela Livaningo “Vamos continuar a envidar esforços para sensibilizar as comunidades á não fazerem as queimadas descontroladas e optarem pelas queimadas frias e também capacitar os comités para que façam a fiscalização nas comunidades e denunciem as pessoas que fazem as queimadas descontroladas para que sejam penalizadas pelos seus actos” concluiu.

De referir que actualmente a Livaningo conta com sete Comités de Gestão de Recursos Naturais, dos quais 6 na província de Nampula, concretamente nos distritos de Ribaué, Malema e 1 na província da Zambézia, em Gurué.

Futuramente pretende se criar novos comités no distrito de Lalaua que também é um distrito, rico em recursos naturais e estão a ser explorados os recursos florestais por varias concessões, entretanto a maioria das comunidades não estão a beneficiar dos 20%.

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