Livaningo promove estratégias comunitárias para redução do desflorestamento em Magude

Livaningo promove estratégias comunitárias para redução do desflorestamento em Magude

A Livaningo promoveu no passado dia oito, do mês corrente, no distrito de Magude, Província de Maputo, um debate público sobre a problemática do desflorestamento, num evento subordinado ao tema: “Estratégia Comunitária para redução do desflorestamento em Magude”.

O debate tinha como objectivo discutir  o actual estágio do desflorestamento no distrito de Magude, identificar mecanismos de redução de desflorestamento, para além de estabelecer e fortalecer parceria com o governo local e as comunidades. Na ocasião, o Administrador do Distrito de Magude, Lázaro Bambamba, agradeceu a realização do debate naquele distrito num momento em que se comemora a semana do ambiente, afirmando que é uma clara demonstração do cometimento da Livaningo na questão de gestão sustentável dos recursos naturais e do bem-estar das comunidades. “Obrigado por Livaningo escolher o nosso distrito para realizar este grande evento, pois vai ajudar-nos a reflectir sobre os problemas e soluções para reduzirmos o desflorestamento aqui em Magude”, disse Lázaro Bambamba, para depois referir que o custo e as precárias condições de vida da população, constituem as principais causas dos problemas que afectam o meio ambiente. “A nossa população faz a exploração exagerada dos recursos naturais porque aproveita lenha e carvão para uso doméstico e comercial”, sentenciou o Administrador.

 

Entretanto, como estratégia para a redução desses problemas, o administrador de Magude disse que é necessário consciencializar as comunidades sobre a importância do uso correcto e moderado dos recursos naturais e o plantio em caso de corte de árvores.

Por outro lado, Joaquim Monteiro, director de Serviços Distritais das Actividades Económicas (SDAE) disse que Magude é distrito que mais sofre com os impactos de Mudanças climáticas a nível da província, dando como o exemplo os efeitos do abates das árvores, as cheias que assolaram o distrito no ano de 2014. “Tivemos as cheias que duraram dois anos, isto foi resultado do abate de árvores para produção da lenha e carvão, e não pensamos na reposiçãor”.

Membros da comunidade presentes no encontro mostraram-se satisfeitos com a realização do debate e pelas acções que a Livaningo tem levado a cabo através do Projecto “Energias Limpas” naquele ponto do país. “Estamos felizes porque este tipo de debates cria espaço para apresentar as nossas inquietações e soluções para os problemas que nos afectam, particularmente para o problema de meio ambiente. Agradecemos a Livaningo e ao Governo distrital, e pedimos que criem mais espaços destes” disse João Cossa representante do posto de Administrativo de Mapulanguene.

 

Acções para reduzir o desflorestamento

Para reduzir o desflorestamento local, o governo distrital apresentou algumas acções que tem levado a cabo,  de acordo com Joaquim Monteiro, a mais importante e sustentável é condicionar os exploradores florestais a produzirem mudas para fazer o reflorestamento. Neste momento ocorre, ao nível do distrito de Magude, o programa denominado “um líder, uma floresta”, que permite o explorador reponha o que tirou da terra”. Para além do reflorestamento, a outra medida de redução é o estabelecimento de cotas anuais para os exploradores florestais.

         Joaquim Monteiro a direita

Há falta de meios para fiscalização das florestas

Segundo João Cuambe, técnico de serviço distrital de actividades económicas,  os principais actores no desflorestamento no distrito de Magude são os comerciantes provenientes das zonas urbanas, e para fazer face a esta situação as grandes cidades precisam repensar nas políticas alternativas no que diz respeito a energia. “ O grosso dos produtores de carvão aqui em Magude não são as comunidades, mas sim os comerciantes de Maputo, Namahacha e outros locais. O que acontece é que estes comerciantes instalam seus acampamentos nos locais de exploração e acabam nosso carvão para vender em Maputo. Na minha opinião, o melhor a fazer é o seguinte: as zonas urbanas devem arranjar formas de produzir energia para o seu consumo doméstico para evitar desfazer a nossa floresta”.

Outro problema associado ao desflorestamento está relacionado com a falta de fiscalização. Actualmente o distrito conta com apenas seis fiscais. “Nós trabalhamos sem meios suficientes para fazer uma boa fiscalização, e os seis Fiscais trabalham num posto fixo. Não nos movemos porque não temos viaturas para a nossa locomoção para os locais onde há extracção de lenha e produção de carvão. Estamos esperançados que futuramente possam ser melhoradas as condições de trabalho. Frisou, João Cuambe.

            João Cuambe

O debate contou com a presença do Administrador, membros dos Comités de gestão de recursos naturais, membros do governo local, representantes do Fundo Nacional de Energia, líderes comunitários, Associações locais dos postos administrativos de Mapenjane, Mahel, Motaze, 3 de Fevereiro, Magude Sede, e público em geral. 

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